
(Texto lido na missa de sétimo dia de Carlos Fernando e Antônio Júnior).
Gostaria de fazer algumas considerações sobre o que aconteceu.
Primeiro, dizer-lhes o que acredito sobre a morte. Ela nada mais é do que uma transição, um portal. Forma-se uma comunicação entre o mundo material e o espiritual, e temos assim um desenlace entre corpo e mente. A mente é a expressão do espírito. Logo, nossos pensamentos, onde quer que estejam, e para onde forem, dirão exatamente como se mostra nossa personalidade, nossos medos, nossas verdades. Morrer faz-se necessário. Pelo Bem que precisamos no mundo.
Digo a vocês que as verdades do meu pai e do meu primo eram pouco compreendidas. Loucura? Bom, há aqueles que já o taxaram de desprovidos de razão. Mas, pergunto a vocês agora: existe alguém aqui completamente racional? Ou alguém totalmente normal aos moldes de nossa incrível sociedade? Se existir, por favor, apresente-se e transforme-se em um novo Jesus Cristo. Porque somente ele conseguiu, até agora, elevar todo o Amor que tinha à totalidade da razão. Isso, para mim, é o normal necessário. Mas muito difícil. É, senhoras e senhores, quem acha que Amar é se entregar às emoções mundanas, estão enganados. Tudo isto é uma ilusão, forjada para que sejamos testados. Gostam de jogos? Pois é, existem pessoas que tratam a vida como uma brincadeira, daquelas onde a gente atira uma peteca na outra. O problema é que, ao mesmo tempo que o ato se consuma, ou seja, duas bolinhas se chocam, todo o meio ao seu redor é alterado. Outras petecas são movimentadas, por exemplo. Isso é física.
Carlos Fernando e Antônio Júnior gostavam da Física, mas sabiam de sua função limitada. O que mais importa, e se me permitirem dizer, o que unicamente importa, no fim, é o que aprendemos: o nosso conhecimento, a partir da experiência diária. Ouvi dizer que você aprende 20% do que ouve, 30% do que fala, 50% do que faz. Mas nós acumulamos 100% do que sentimos. Eles sabem disso. Por isso, seus espíritos são leves, por maiores que fossem seus problemas. E arrisco a dizer que ambos tiveram momentos intensos e sublimes de liberdade, os quais a maioria presente aqui jamais experimentará. Não aquela liberdade social, a que muitos prezam. Mas a liberdade da mente. E com isso, vem a Paz.
Vou resumi-los então três palavras, se possível for, para que lembrem-se de como eram meu pai e meu primo: Paz, liberdade, e Amor. Paz pela serenidade que carregavam, apesar dos vários problemas envolvidos, que mascaravam essa real característica, muitas vezes. Liberdade, pelo simples fato: sabiam que o nosso meio social já está defasado, e seguiram suas individualidades. Importamo-nos como nos vestimos, como nos mostramos, o que temos para oferecer ao outro materialmente, ou o que precisamos cobrar. Os valores estão virados, e o supérfluo predomina nos atos da maioria de nós. Momentos que estamos desperdiçando. Tempos onde já sabemos que só o Amor preenche todas as lacunas existentes. Só o Bem desse sentimento transforma as mais singelas ações em bálsamos de felicidade e paz. Por isso, desejo sinceramente que procuremos trabalhar ao máximo, no tempo que nos resta, o Amor colocado em prática por um homem chamado Jesus.
Encerro com dois pontos:
- Há alguns dias, Júnior foi em minha casa, mas eu não estava presente. Em uma breve conversa com minha tia, ele me deixou um recado. Vou compartilhá-lo com vocês:
“Diga pro Higor não se preocupar muito com o que não é de sua responsabilidade. Ele pode trabalhar naquilo que for de sua possibilidade.” Complementando, ele um dia me disse que iria ser um profissional preocupado com as pessoas. Bom, Júnior, fique tranqüilo, que tentarei seguir seu conselho.
O segundo ponto, trata-se de um pequeno momento da minha vida.
Eu tinha aproximadamente 8 anos, e estava chegando da escola. Fiquei curioso com uma história sobre um tal cometa que encontrava-se próximo da órbita terrestre. Perguntei então para o meu pai se havia como ele colidir com a Terra. Bom, ele me puxou para fora de casa, e me falou do universo. Explicou que nele tínhamos vários planetas, e vários outros corpos celestes que “passeavam” por ele. Perguntei se existiam outros mundos. Ele disse que sim. Eu acreditei.
Ele sempre soube muito sobre o Universo que nos cerca. E agora, tenho certeza que está aproveitando para conhecer como são estes outros mundos existentes. Porque eles existem.
Fernando e Júnior foram um pouco da grande personalidade que são cada um destes seres de Luz. E com certeza, nos guiarão para esse Amor que o ser humano tanto busca, mas às vezes de forma tão equivocada.
Sei que estão em Paz. Termino dizendo: meu pai e meu primo são muito mais do que os dois corpos que conhecemos.
Sintamo-nos consolados, e tenhamos uma fé viva em Deus.
É inevitável o progresso de todas as coisas em busca da perfeição. Além disso, nada será capaz de deter o avanço vertiginoso da Vida...
É inútil que as sombras da noite tentem se opor à claridade do dia, felizmente.
Avancemos com paz e Amor, enquanto podemos.
Abraços.
Higor Dino.
23/04/10



