terça-feira, 27 de julho de 2010

Passagem.


(Texto lido na missa de sétimo dia de Carlos Fernando e Antônio Júnior).

Gostaria de fazer algumas considerações sobre o que aconteceu.
Primeiro, dizer-lhes o que acredito sobre a morte. Ela nada mais é do que uma transição, um portal. Forma-se uma comunicação entre o mundo material e o espiritual, e temos assim um desenlace entre corpo e mente. A mente é a expressão do espírito. Logo, nossos pensamentos, onde quer que estejam, e para onde forem, dirão exatamente como se mostra nossa personalidade, nossos medos, nossas verdades. Morrer faz-se necessário. Pelo Bem que precisamos no mundo.

Digo a vocês que as verdades do meu pai e do meu primo eram pouco compreendidas. Loucura? Bom, há aqueles que já o taxaram de desprovidos de razão. Mas, pergunto a vocês agora: existe alguém aqui completamente racional? Ou alguém totalmente normal aos moldes de nossa incrível sociedade? Se existir, por favor, apresente-se e transforme-se em um novo Jesus Cristo. Porque somente ele conseguiu, até agora, elevar todo o Amor que tinha à totalidade da razão. Isso, para mim, é o normal necessário. Mas muito difícil. É, senhoras e senhores, quem acha que Amar é se entregar às emoções mundanas, estão enganados. Tudo isto é uma ilusão, forjada para que sejamos testados. Gostam de jogos? Pois é, existem pessoas que tratam a vida como uma brincadeira, daquelas onde a gente atira uma peteca na outra. O problema é que, ao mesmo tempo que o ato se consuma, ou seja, duas bolinhas se chocam, todo o meio ao seu redor é alterado. Outras petecas são movimentadas, por exemplo. Isso é física.

Carlos Fernando e Antônio Júnior gostavam da Física, mas sabiam de sua função limitada. O que mais importa, e se me permitirem dizer, o que unicamente importa, no fim, é o que aprendemos: o nosso conhecimento, a partir da experiência diária. Ouvi dizer que você aprende 20% do que ouve, 30% do que fala, 50% do que faz. Mas nós acumulamos 100% do que sentimos. Eles sabem disso. Por isso, seus espíritos são leves, por maiores que fossem seus problemas. E arrisco a dizer que ambos tiveram momentos intensos e sublimes de liberdade, os quais a maioria presente aqui jamais experimentará. Não aquela liberdade social, a que muitos prezam. Mas a liberdade da mente. E com isso, vem a Paz.

Vou resumi-los então três palavras, se possível for, para que lembrem-se de como eram meu pai e meu primo: Paz, liberdade, e Amor. Paz pela serenidade que carregavam, apesar dos vários problemas envolvidos, que mascaravam essa real característica, muitas vezes. Liberdade, pelo simples fato: sabiam que o nosso meio social já está defasado, e seguiram suas individualidades. Importamo-nos como nos vestimos, como nos mostramos, o que temos para oferecer ao outro materialmente, ou o que precisamos cobrar. Os valores estão virados, e o supérfluo predomina nos atos da maioria de nós. Momentos que estamos desperdiçando. Tempos onde já sabemos que só o Amor preenche todas as lacunas existentes. Só o Bem desse sentimento transforma as mais singelas ações em bálsamos de felicidade e paz. Por isso, desejo sinceramente que procuremos trabalhar ao máximo, no tempo que nos resta, o Amor colocado em prática por um homem chamado Jesus.

Encerro com dois pontos:
- Há alguns dias, Júnior foi em minha casa, mas eu não estava presente. Em uma breve conversa com minha tia, ele me deixou um recado. Vou compartilhá-lo com vocês:
“Diga pro Higor não se preocupar muito com o que não é de sua responsabilidade. Ele pode trabalhar naquilo que for de sua possibilidade.” Complementando, ele um dia me disse que iria ser um profissional preocupado com as pessoas. Bom, Júnior, fique tranqüilo, que tentarei seguir seu conselho.
O segundo ponto, trata-se de um pequeno momento da minha vida.
Eu tinha aproximadamente 8 anos, e estava chegando da escola. Fiquei curioso com uma história sobre um tal cometa que encontrava-se próximo da órbita terrestre. Perguntei então para o meu pai se havia como ele colidir com a Terra. Bom, ele me puxou para fora de casa, e me falou do universo. Explicou que nele tínhamos vários planetas, e vários outros corpos celestes que “passeavam” por ele. Perguntei se existiam outros mundos. Ele disse que sim. Eu acreditei.
Ele sempre soube muito sobre o Universo que nos cerca. E agora, tenho certeza que está aproveitando para conhecer como são estes outros mundos existentes. Porque eles existem.

Fernando e Júnior foram um pouco da grande personalidade que são cada um destes seres de Luz. E com certeza, nos guiarão para esse Amor que o ser humano tanto busca, mas às vezes de forma tão equivocada.
Sei que estão em Paz. Termino dizendo: meu pai e meu primo são muito mais do que os dois corpos que conhecemos.
Sintamo-nos consolados, e tenhamos uma fé viva em Deus.
É inevitável o progresso de todas as coisas em busca da perfeição. Além disso, nada será capaz de deter o avanço vertiginoso da Vida...
É inútil que as sombras da noite tentem se opor à claridade do dia, felizmente.
Avancemos com paz e Amor, enquanto podemos.

Abraços.

Higor Dino.
23/04/10

quinta-feira, 9 de julho de 2009

ECEM

E ai pessoal!

Pra quem tiver me procurando, e aparecer por aqui para saber do meu paradeiro:
Estou indo pra São Paulo, onde haverá o ECEM - Encontro Científico dos Estudantes de Medicina.
Provavelmente volto até o dia 21 de julho.

Boas férias!
E até qualquer hora...
Abraços

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Nós, barcos, e sonhos.


É assustador quando a gente cresce. E o mais engraçado: sempre queremos que isso aconteça, mas no fim, a gente continua se agarrando aos velhos brinquedos, aos velhos lençóis, às velhas brincadeiras, aos velhos costumes. É como uma doença. Faz-nos regredir, cientificamente falando. Geralmente deitamos e esperamos que alguém mexa nos nossos cabelos, dê-nos algum remédio, e diga que vai ficar tudo bem. Uma verdade, talvez: somos nós eternos doentes.
São os nós da vida, fazer o quê.
Ser bom o suficiente pra sair correndo sozinho, ou andar de bicicleta sem as rodinhas, não é pra qualquer um. O pior é quando temos que atravessar um oceano sem limite, sem profundidade calculada. Olhamos para o horizonte, e sabemos que ele é longo, sem ao menos chegarmos ao porto que o prepara para ser desvendado.
Chegar ao fim do chão não é simples, mas é claro. Entende?
É claro dar passos, estender a mão, e comprar uma passagem. É lógico, após gastar tanto dinheiro com um bilhete, embarcar. A gente sobe, até sem querer, em pedaços de metal e madeira unidos com o objetivo básico de “flutuar” nas águas salgadas avistadas. Águas temidas. Águas que, apesar da correnteza e dos componentes em suspensão, refletem sua aparência. De medo? Curiosidade? Confusão?
São os barcos da vida, fazer o quê.
Os propósitos do alto mar chegam a cegar nossa visão, e assim passamos muito tempo da viagem dormindo. E ai nós sentimos o vento mesclado ao momento da chegada, quando conseguimos, enfim, atravessar! O outro lado parece tão puro, livre de sentimentos contidos, ou de sinceridades despercebidas. Vêem-se construções de companheirismo. Mas um barulho e uma puxada brusca nos atingem, de tal forma que a realidade do balançar constante e monótono do barco sobre as ondas finaliza todas as expectativas dos dias da viagem.
São os sonhos da vida.
Fazer o quê?

Manter os nós?
Abandonar os barcos?
Dormir na viagem?

Os nós precisam ser extirpados.
Os barcos precisam ser utilizados em sua plenitude, dos quartos de máquinas ou do vapor ao gabinete do capitão.
Quanto aos sonhos, estes precisam ser vividos, não apenas sonhados.
Mas vivê-los não necessariamente significa torná-los realidade.
O que vale, mais do que viver, é navegar, como dizia Fernando Pessoa.

Viver é muito mais do que estar consciente. É dividir sonhos acordado. E amar.


Higor Rafael

domingo, 8 de fevereiro de 2009

De revoluções a cartas de amor.


Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, governam a minha vida: o desejo imenso de amor, a procura do conhecimento e a insuportável compaixão pelo sofrimento da humanidade. Essas paixões, como os fortes ventos, levam-me de um lado para outro, em caminhos caprichosos, para além de um profundo oceano de angústias, chegando à beira do verdadeiro desespero.

Primeiro busco o amor, que traz a êxtase – Êxtase tão grande que posso chegar a sacrificar o resto de minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Procuro-o, também, porque abranda a solidão – aquela terrível solidão em que uma consciência horrorizada observa, da margem do mundo, o insondável e frio abismo sem vida. Procuro-o, finalmente, porque na união do amor vejo, em mística miniatura, a visão prefigurada do paraíso que santos e poetas imaginam. Isso é o que procuro e, embora possa parecer bom demais para a vida humana, é o que desejo encontrar.

Com igual paixão busco o conhecimento. Desejo compreender os corações dos homens. Desejo saber por que alguns simplesmente brilham, e outros tentam, de todas as formas, passar por estrelas tentando apagá-las. Tento aprender onde o relativo torna-se absoluto. Um pouco disso, não muito, já encontrei.

Amor e conhecimento, até onde são possíveis, conduzem-me aos caminhos do paraíso. Mas a compaixão sempre me traz de volta à Terra. Ecos de gritos de dor reverberam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desprotegidos – odiosa carga para seus filhos – e o mundo inteiro de solidão, pobreza e dor transformam em arremedo o que a vida humana pode ser. Anseio ardentemente aliviar o mal, mas como nem sempre posso, também sofro.

Isso é a minha vida. Acho-a digna de ser vivida e viverei com esperança as oportunidades que me forem oferecidas.

Higor Rafael

sábado, 24 de janeiro de 2009

Arrumando as malas mais uma vez.

Caro leitor,
Só um aviso rápido.
Estarei viajando para Belém, Pará, daqui a alguns dias.
Tentarei passar a vocês o que puder.
Acompanhem, se puderem...
ABraços!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Impressões em uma gota d’água.




Uma primeira gota cai no chão escaldante, e some entre alguns grãos de areia.
Retrato agora o trabalho árduo de um senhor, entre folhagens, em uma roça próxima de seu lar. O sol magnífico reluz no couro cabeludo do velho. Seus cabelos já se foram há muitos dias, com o passar da idade.
Mais uma gota.
Sua ação mecânica de impulsionar os instrumentos de trabalho foi interrompida. O horizonte encarou os olhos do velho. Estava acabado. Cansado. Nesse momento, pensa em como sua vida poderia ter sido diferente. Mais muitas gotas.
Pensamentos que saem de 50 anos atrás para seu futuro em um piscar de olhos. Entre eles, uma mulher maravilhosa. Dois filhos amados. Queria que o seu maior menino estivesse ali, com ele, compartilhando a energia da terra. E quanto ao menor, este sim, ele desejava avistá-lo correndo em sua direção.
...
Uma segunda gota desliza sobre a face do garoto. Leito 09.
Mamãe, aproveitei esse momento sozinho para dizer algumas coisas à senhora.
Eu sei que não tenho sido um filho muito bom, por isso peço desculpas à senhora e ao papai. Mas eu amo muito vocês. Queria que soubessem disso, tá?
Eu to com saudade de casa, mas toda noite eu sonho visitando nosso campo. Isso me conforta. Eu vou ao quarto do papai, e dou um beijo nele... Eu sei que ele sente. Eu sinto.
E a senhora, mamãe, está aqui o tempo todo. Não cansa mesmo... Tem uma força maior que a minha. Só desaparece por uns tempos para me trazer um lanche. E sempre volta.
Eu é que não sei se vou conseguir ficar com vocês. Tá meio ruim, sabe, eu sinto isso dentro de mim.
Não to reclamando, mamãe, mas é porque eu queria tanto estudar, trabalhar. Queria ser advogado. Meu grande sonho era trazer vocês pra cidade, ai a gente vivia melhor por aqui. Papai não ia precisar se queimar no sol. A senhora não ia ter que caminhar todo dia pra pegar água.
Se Deus me desse tempo, eu faria tudo isso. Iria viajar, e tentar ajudar as pessoas. Eu sei que não ia ganhar muito, mas, acho que seria o suficiente.
É por isso que estou deixando essas palavras. Quero que saiba que tenho orgulho de vocês, e espero que tenham orgulho de mim. Já sei escrever tudo isso, mamãe!
Diz pros meninos que eu tenho saudade de brincar com eles, ta certo?
Eles me ensinaram muitas coisas legais. São os melhores irmãos do mundo!
To sentindo um pouco de dor, mamãe, mas estou bem.
Com você ao meu lado, eu fico bom.
Quero voltar pra casa. Mas acho que não vou conseguir.
Cuide bem do papai pra mim, tá?
Eu só queria dizer isso...
Que eu amo vocês, e que apesar de tudo, sou feliz.
Um dia eu vou conseguir, mamãe.

Te amo.

A carta descansou na cama, assim como o menino. A mulher maravilhosa não teve tempo de ouvir sua voz. Só conseguiu mesmo sentir a força do abraço que ele lhe deixou.
...
Uma terceira gota rompeu o silêncio do salão. Ele tinha se posicionado.
Boa noite, amigos, familiares, professores e autoridades presentes.
Eu sempre imaginei este momento desde meu primeiro dia de aula. Veio rápido. E nesse meio, trouxe uma bagagem que só nós, aqui em cima, podemos entendê-la. A partir de agora, todos vocês irão abri-la.
Fomos escolhidos para compor esta turma. Personalidades e ideais mesclando-se à vontade de conhecer o novo. Chegamos a este mundo para encontrar-nos, e com isso torná-lo melhor.
Junto aos nossos, muitos sonhos seguiram pelo caminho. Estamos aqui recebendo um diploma não por nós, apenas, mas por nossa família, por nossos amigos, e mestres. Ou seja, por vocês.
E digo mais: sairemos formados para vocês...
... e mais uma vez, agradeço por tudo!
Desejo este dia ao meu querido irmão, um lutador da vida. Espero ter tanta força quanto ele em meus dias.
Obrigado.
Gotas incontáveis umedeceram os corações e mentes daquele auditório.
Seu pequenino irmão estava lá, com forças até para voar ao palco, se fosse possível. E quem disse que não era?
...
Dias depois, o jovem formado recebe a carta de seu belo grande irmão. E conclui.
“A vida valerá à pena, sempre. Por mim, por ele, e por quem suportar o próprio suor e as próprias lágrimas.”

Abraços.
Higor Dino.

sábado, 27 de dezembro de 2008

A última mala do ano


Enfim, 2008 foi embora.
Alguns dos caminhos percorridos durante os dias que se passaram foram compartilhados nesse espaço de idéias, desabafos, sugestões.
Um andarilho verdadeiro não pára depois de alguns embates.
Pelo contrário.
Ele segue mais firme que nunca.
2008 trouxe a mim desânimos, dúvidas, incertezas.
Mas junto a tudo isso, a felicidade esteve presente, além da máxima do "não desistir".
Há um mundo cada vez maior nos esperando lá fora...
E é por isso, meu amigo, que estou mais uma vez arrumando minha mala!
Daqui a pouco parto para novas experiências.
E espero encontrar este meu "lar" no próximo ano...
Assim como desejo encontrar você.
Agradeço por ter vivido meus dias de 2008 com pessoas tão especiais, tão essenciais... Agradeço, sinceramente, por tudo. Pelos sorrisos, pelas brigas, pelos gritos, pelas lágrimas. Enfim, agradeço pelos vários cruzamentos entre o meu caminho e outros, importantes para meu crescimento.
Que 2009 venha para torná-lo um ser humano melhor, mesmo que para isso tenha que sofrer.
O sofrimento é bom quando sabemos extrair os momentos de alívio...
Tenha bons dias pela frente, e siga sempre em frente, no amor, na paz, na luz.
Seja a mudança que quer ver no mundo.
Se precisar de mão-de-obra para fazer essa mudança, chame!

Vou indo então...
Minha estrada espera os meus passos!

Abraços.
Higor Dino.