quinta-feira, 17 de julho de 2008

O pedaço do mar.


O que move as ondas de um oceano?

Uma força. Uma mecânica perfeita entre o fluxo de ventos e a água salgada. O tocar. A fusão entre os elementos mais próximos e a transferência apaziguadora de uma energia. O sentir.

Transpirar ao mesmo tempo em que os sons, constantes e harmoniosamente trabalhados, refletem à realidade o poder da separação das moléculas de água, quando pedras recebem-na de peito aberto, sem pestanejar, e esperam de uma forma magnífica todas as suas partes formarem apenas uma, no fim.

O que une duas pessoas ao que chamam de amor?

Mas não um amor simples e puro, de mais um anoitecer. Não um flash de expectativas e frustrações, formando daí uma foto manchada, pouco nítida, embaraçada pelos maus ventos que passaram entre a saída da luz e o destino. Não um encontro à fantasia.

Amor. Esse sim, impuro, verdadeiro, incerto, fadado a cair. Alguém que lhe segure sem luvas, e que lhe veja sem peças. Peças no sentido de figurino. Um ator e atriz que não existem. Não há roteiros, nem dublês. O que os une é singular: fé. O acreditar que há confiança, entrega, cumplicidade. Esperar por mais um dia não monótono, mas feliz, por ter sua felicidade ao lado.

O que é o Amor?

Não há como definir algo tão necessário e ao mesmo tempo tão fugaz. Delinear sobre o seu subjetivismo ou questionar a respeito do seu mistério. Tão distante, e mesmo assim tão imenso. Com limites conhecidos, aparentemente (vendo pela ótica do ser humano pensante, que impõe delimitações a tudo e a todos), apesar do próprio conhecimento ser incapaz de mensurar tamanho cálculo. Aceito o fato de o Amor ser o sentimento com simplicidade mais estampada, e que isto seja o determinante para as várias incompreensões e indecisões a respeito dele. O Amor, por si só, já se complementa e se preenche. Já se supera e se dispersa; reprime-se e transforma-se. Há uma força que lhe confere auto-excitabilidade, como o coração. Talvez daí possa ter surgido a relação entre ambos os elementos.

Uns esperam que ele dure, seja eterno. Outros o remetem a obrigação de gerar felicidade.

Muitos têm medo, e poucos o têm em mãos, firme e seguro.

. . .

O mar, dentro das conchas da mão, fica lindo.

. . .

E o que vale mais: o Amor em si, ou a prova desse Amor?

Não consegui definir o Amor. Sinto muito. Mas vou arriscar em comparar o Amor ao mar.

Ambos possuem uma força gerada espontaneamente. O tocar, a fusão.

A transferência de energia, que se espalha e envolve o que existir ao redor.

Enfim, não são necessárias provas de que o mar exista, pois, de fato, ele ocupa a maior parte da superfície terrestre. Assim é o Amor.

Sua existência é sua maior e única prova.

. . .

O amor, dentro das conchas da mão, fica lindo.

. . .

Ele merece segurança, cuidado, cultivo. E mais: não precisa de demonstrações.

Se for verdadeiro o Amor, ele é incondicional. Por isso, não espere por provas.

Apenas sinta sua imensidão, como a do mar...

... Não deixa brechas, nem dúvidas. E a simples definição fica em segundo plano.

. . .

O mar, moço, o mar é segredo.

. . .

H.R.

6 Mensagens dos viajantes:

Re...Nan disse...

Já diz o compositor que "por ser exato, o amor não cabe em si." Talvez seja isso... Tão perfeito que ninguém consiga dominá-lo...

Nahara disse...

Higor, não sei se tu lembra que tu me perguntou um dia: "Nahara, tu já amou alguém?"

Hoje, eu posso te responder.

Amo meus familiares, amo meus amigos.

Agora quanto ao amor homem-mulher, que é no qual pensei quando li teu texto, não, eu nunca senti esse amor.

É bonito ler esse teu texto e imaginar, e desesperador não ter me prendido a ninguém nesta etapa de vida, mas o fato é que eu me martirizo muito a sentir, eu me limito: eu não amo.

Um dia sentirei e poderei escrever coisas lindas assim...

Boas férias, meu querido!

Alexandre Volta disse...

[...]

Najara disse...

O Amor se revela na menor expectativa. Permita-se.

[ohhhhh ;D]

Martinha disse...

bom, muito bom.. como sempre... :)
por isso volto sempre aqui!*

Raisa C.Branco disse...

"O mar, moço, o mar é segredo".
Mas a menina do vestido de cor amar-elo agarrou a lua e saiu desbotando os grãos de areia, pincelando as águas com um fio de estrelas. Até que. O mar acabou desvendando uma gota - uma fina gota - molhada de sal. E sutilmente, a menina foi desenhando um poema dentro do amor, quero dizer, no interior do mar.
"O amor, dentro das conchas da mão, fica lindo."
...
"O amor refaz e desfaz todas as provas possíveis."