
Depois de um GRANDE fim de semana, volto à realidade com muitos aprendizados.
Desde quinta-feira (09/10/08) estava preso ao QG (Quartel General) do OREM (Olimpíadas Regionais dos Estudantes de Medicina). Só retificando logo agora: Orgia Regional dos Estudantes de Medicina. Foi o que ouvi de um dos estudantes credenciados. Realmente, esse era o melhor nome.
Nós da organização tivemos pouco tempo: dois meses. Foram dias de reuniões, algumas onde nada era resolvido, outras muito úteis. Nunca havíamos feito um evento tão grande. Reservamos dois colégios públicos da cidade para comportar as 500 pessoas (no máximo) que imaginávamos para nosso evento, e as quadras da UFPI e FACID para os jogos. Bem, não foi exatamente isso que aconteceu.
Inscrições depois do último prazo, imagine isso, e agora some entre 700 e 800 estudantes de Medicina prontos para se divertir, dentro de dois colégios. E para completar: choveu em Teresina no momento de chegada dos ônibus. Enfim, o desespero acabava de começar. Era correria, corredores molhados, álcool no sangue e vários “carrinhos” de som. Forró, pagode, reggae e um ventilador pegando fogo na sala do Alojamento 2!
“Meu Deus”. Faltou água, logo no início dos banhos. O diretor do colégio esqueceu de prever isso, e nós também. Invasão de salas proibidas para se alojarem. Invasão de salas entre uma delegação e outra. Impossibilidade de comportar todos os estudantes. Foi uma seqüência desgovernada, somada à revolta do pessoal e à confusão entre os coordenadores. O caos estava instalado na cidade do CALOR. Pelo menos os 40º não eram nossa culpa...
Mesmo com todo o ambiente de terror, foi-se a primeira noite, com chuva fraca e um show que, de acordo com os que foram, adoraram.
No segundo dia, ouvi comentários muito ruins, e fiquei desolado por alguns momentos. Não é nada fácil ouvir sobre os desastres de algo que você passa dos limites físicos e mentais para melhorá-lo. Muitos não reconheceram o serviço. Mas tudo bem.
A poeira do alojamento baixou no sentido de confusões, porque o chão tremia com os sons e o balanço dos nordestinos. Foi uma cena bonita de se ver, e foi a partir daí que vi o quanto as coisas podem ser aproveitadas, mesmo quando não há perfeição. Um parêntese: vi um senhor com um carrinho de picolé no meio da rua, e permiti a sua entrada no alojamento, para melhorar suas vendas e o calor do povo. Mas não o vi em nenhum momento no colégio. Pode ser que tenha ficado assustado, ou que tenha vendido tudo rapidamente...
As coisas melhoravam... Nem tantos “pepinos” chegavam até nós, apenas perda de crachá e falta de água. Quanto a esse último item, conseguimos carros de bombeiros, e diminuímos nossas preocupações. A sexta fechava bem, com mais shows, e vários catadores de latinha e limpadores do grande pátio do pagodão das tardes. Não precisa nem dizer quem foram os catadores...
Tirando lâmpadas e ventiladores inutilizáveis, colchões sumindo de algumas salas ou sendo queimados no meio da rua, o ambiente tornava-se mais agradável. Outro parêntese: várias fogueiras de São João foram postas no ar em montes de folhas secas que haviam sido varridas.
O OREM estava indo bem mais rápido do que imaginava... E com a festa à fantasia no sábado à noite, eu tive certeza que coisas boas realmente aconteceram. Um príncipe rondava à procura de sua princesa, entre abelhinhas, diabinhas, vampiras, árabes, Amy Whinehouse’s , indianas, ciganas, Batman, Barner, Mário e Luidi, até menino-maluquinho dançava o forró que terminou na madrugada.
Depois disso, as delegações foram indo embora no domingo. Ainda houve uma feijoada para fechar o evento, talvez não com a animação da festa, mas com a certeza de que o trabalho valera à pena para a CoOREM e para muitos inscritos.
Hoje vejo que aprendi muito com todos os inconvenientes, decepções, problemas, brincadeiras e sorrisos dentro desses dias. Foram carregados e intensos não só de “perigos”, mas de amizades, e isso fica marcado em todos os que participaram.
No fim, restaram os integrantes que julgo eu, de extrema importância: os limpadores do local. As coisas finalmente voltavam aos seus lugares, e o OREM finalizava em Teresina.
Há dois meses, não tinha idéia de como isso poderia ter dado certo. Hoje, vejo que tudo pode ser concretizado. Basta arregaçar mesmo as mangas, estender as mãos para os outros, e arriscar. Confiar e acreditar, principalmente.
Riscos que envolvem muitas pessoas são os mais sérios, e também são os que nos trazem maior recompensa. Ganhamos nos acertos, aprendemos nos erros, ou seja, o saldo foi positivo em ambas as partes.
Valeu à pena.
Abraços!
Às 13:15
4 Mensagens dos viajantes:
Só em ler sinto como se tivesse participado do OREM hehe
Mas enfim como você mesmo disse teve seu saldo positivo XD
Espero que no próximo eu possa estar lá também.
Abraço brother
Foi uma ótima sinopse! [Principalmente para leitores curiosos que não tem nada a ver com o evento] XD
Bjo Dino ;*
É, rapaz... Lidar com gente é a coisa mais difícil que há!
Acho que apesar de tudo, tu se saiu bem... ;)
Abraço!
your blog is very fine......
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